Fábrica Lumière

Este blog nasceu num café-bar chamado "Vertigo", em Lisboa. Pensámos logo que esse nome era um sinal... Só podia. Adoramos "fazer filmes", essa é que é a verdade! Mas inspiramo-nos sempre nos originais. Se a amizade morresse, sobraria inevitavelmente a paixão pela sétima arte que nos une.

fevereiro 19, 2005

Jogo de Lágrimas 1



O Holocausto que não quero ver

Este talvez seja o post anti-filme que mais cedo ou mais tarde teria de fazer. Escolhi mais cedo para, antes de falar sobre as minhas paixões, exorcizar este meu capítulo da Fábrica Lumière.

O cinema é paixão, disso não há dúvida. O cinema sobre o Holocausto, campos de concentração, nazis e todo o sofrimento que me transmite, é aterrador.

Desde "A Escolha de Sofia", vista numa idade imprópria, é certo, e da série televisiva "Para além da Guerra", nunca mais fui capaz de encarar um filme sobre o tema. Nunca mais.

Foi por eles que conheci aquele período negro da história. A partir daí vieram as perguntas, a leitura de algumas fontes e o repúdio. Depois de conhecer os factos, era demasiado penoso ver filmadas as cenas que eu já sabia como terminavam.

Só para dar dois exemplos dos filmes que jamais verei - "Lista de Schindler" e "A Vida é Bela", provavelmente dos mais qualificados sobre a época; O segundo ainda me convenceram a começar a ver, dizendo-me que não tinha nada a ver com os outros e que era tudo a brincar. A brincar?! Nessa noite nem dormi.

O cinema mostrou-me um lado negro da mente humana que não me permito ver. E foi o primeiro a mostrá-lo. Talvez por isso.



Nota: A qualidade dos filmes em questão não está em causa, pelo contrário, pelo que tenho lido e ouvido, tratam-se de belíssimas obras de arte. É importante que estes filmes existam. É importante recordar às gerações que se sucedem a monstruosidade dos crimes do Holocausto, sobretudo quando há alunos do 12º ano que nunca ouviram falar de tal coisa, como me contou há pouco tempo uma professora em estado de choque.

2 Comments:

At 2:40 da tarde, Blogger Ana de Sena & Miguel de Sena said...

Absolument vrai !
Se houve filme em que chorei em pleno cinema, foi o de Roberto Begnini.
Continuo a surpreender-me graciosamente com pessoas que ainda visualizam a mensagem inerente a tais filmes: O Lado Negro da Humanidade (Humanos ?????).
Ainda hoje, minutos antes de teclar neste vosso prodígio sobre a Sétima Arte, um puto de 15/16 anos proferiu ao meu lado que «Hitler era demasiado avnçado para o seu tempo...», ao que lhe perguntei «Qual é o teu Q.I., chavalo ?», e a resposta foi um olhar aparvalhado.
É triste ver gente assim...
Se o gaijo em questão se internetasse, indicaria-lhe este teu Post. Mas como o gaijo só utiliza os terminais deste Cibercafé para aceder (barbaramente) ao "Counter Strike"...

 
At 12:44 da tarde, Blogger Roxanne said...

O cinema é paixão como dizes, é emoção que eu sei que vai doer mas mesmo assim, compro o bilhete de peito aberto. Sinto o que sentes sobre o tema da escravatura, com a diferença de querer vê-la e de vê-la sempre com a avidez de aprender uma lição que não é minha.

 

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